As 10 clarinadas mais escolhidas pelas noivas

A clarinada da noiva é o toque musical que antecede a sua entrada na cerimônia de casamento. Antigamente era executada por um instrumento chamado clarim (daí seu nome), semelhante ao trompete, e hoje foi substituído por este. Normalmente tem um efeito triunfal, causando um grande impacto e criando expectativa nos convidados e no noivo para a primeira aparição da noiva. Existem diversos tipos de clarinadas e formas diferentes de executá-la.

A Tradição

Sendo instrumentos muito antigos, a família dos trompetes (da qual o clarim faz parte) foi encontrada pela primeira vez nos túmulos dos Faraós no Egito. Na câmara mortuária do túmulo do Tutankhamon, por exemplo, foram encontrados dois trompetes: um de prata e outro de cobre.

O instrumento foi decorado com um painel que mostra o rei usando uma Coroa Azul e segurando o cetro da realeza. Ele se encontra em pé diante da figura do Deus Ptah, ao passo que Rá-Harakhti está postado nas suas costas. Estes instrumentos são datados de aproximadamente 1350 a.C. Os trompetes do Egito eram sagrados e tocados apenas no culto a Osiris.

Veja mais em https://pt.wikipedia.org/wiki/Trompete

Trompetes de Tutancâmon

Devido ao seu som penetrante, brilhante e de volume bastante alto, a família dos trompetes logo passou a ser associada a anúncios importantes e à guerra. A clarinada (ou chamada de fanfarra) foi muito utilizada para avisar aos cidadãos que passavam pelas ruas sobre a chegada de autoridades, como reis, rainhas, Papas e membros da nobreza. Como vimos anteriormente, também teve papel importante na religião. Inclusive, podem-se encontrar diversas passagens na Bíblia que citam o instrumento:

“Sete sacerdotes, tocando sete trombetas, irão adiante da arca. No sétimo dia dareis sete vezes volta à cidade, tocando os sacerdotes a trombeta”. Josué 6:4

“Joab ordenou depois que tocassem a trombeta para assinalar o fim do combate. Os soldados de David deixaram então de perseguir os homens de Israel”. II Samuel 18,16

“Toquem a trombeta na lua nova e no dia de lua cheia, dia da nossa festa”. Salmos 81:3

“Sone o trompete chamando à batalha; todos se preparam, mas ninguém saia a lutar. Vou castigar com ira o orgulho de Israel”. Livro de Ezequiel 7,14

“O primeiro anjo tocou o trompete, e houve granizo e fogo misturados com sangue, que foram lançados sobre a terra; e um terço das árvores se queimou, e se queimou toda a grama verde”. Livro do Apocalipse de São João 8, 6-13

Na era medieval, tal era a importância deste instrumento que o direito de possuir um exemplar era restrito à aristocracia. Já no século XIV, começam a apresentar flâmulas (bandeiras) trazendo o brasão das famílias ou reinos, simbolizando status e poder.

Não se sabe bem ao certo quando passou a proclamar a entrada da noiva nos casamentos, uma vez que o rito das cerimônias alterou-se inúmeras vezes ao longo do tempo.

Le St. viatique porté chez un malade – Debret

O instrumento

O trompete é um instrumento de sopro, o mais agudo da família dos metais. Na clarinada da noiva, utiliza-se o trompete triunfal, que é um pouco mais alongado que um trompete comum:

O nome clarinada deriva justamente do instrumento mais antigo, o clarim, parente do trompete:

Repare como ele não tem pistões (válvulas). Dessa forma, o controle das notas é feito pela variação da embocadura do instrumentista, ou seja, para o instrumentista diferenciar uma nota dó de um sol, por exemplo, tem que fazer uma determinada pressão nos lábios e posicioná-los em determinado formato, tornando sua execução extremamente difícil. Esse instrumento foi gradualmente sendo substituído devido a sua limitação.

O momento

A clarinada é tocada antes da Marcha Nupcial, geralmente sem interrupção entre ambas.O anúncio pode ser feito de três maneiras:
– 1 só vez na porta da igreja
– 2 vezes, sendo uma vez na porta e outra próximo ao altar
– 3 vezes, sendo 1 vez na porta, uma no meio do corredor e outra próximo ao altar

A performance é feita por no mínimo dois trompetistas. Existem casos em que se opta por ter o toque musical, porém, sem o deslocamento do músico, ou seja, ele tocará a clarinada sentado junto ao resto do grupo e, nesse caso, poder-se-á utilizar um só instrumento.

Quais são as opções

1)Clarinada da Rainha Elizabeth

Não se sabe ao certo sua origem, mas ficou associada à Rainha Elizabeth, sendo uma das mais escolhidas para casamentos. Veja abaixo o vídeo da Camerata Benesi seguido da Marcha Nupcial:

2) Clarinada de Mahler

Esta foi extraída da Primeira Sinfonia (conhecida como Titã) do compositor checo-austríaco Gustav Mahler (1860-1911), um dos maiores nomes do romantismo. Mahler tinha uma predileção pelos metais, o que torna sua orquestração inconfundível. Esta Sinfonia foi composta entre o final de 1887 e março de 1888, embora incorpore trechos de música que Mahler compôs para trabalhos anteriores.

Conta-se que um caso de amor do compositor durante sua juventude serviu de inspiração para a criação da sinfonia. Contudo, ela vai além disso, conforme explica o próprio Mahler numa carta de 1890: Gostaria que ficasse enfatizado ser a sinfonia maior do que o caso de amor que se baseia, ou melhor, que a precedeu, no que se refere à vida emocional do criador. O caso real tornou-se razão para a obra, mas não em absoluto, o significado real da mesma. (…) Assim como considero uma vulgaridade inventar música para se ajustar a um programa, também acho estéril dar um programa para uma obra completa. A circunstância de a inspiração ou base de uma composição ser uma experiência de seu autor não altera as coisas.

Clarinada de Mahler

3) Clarinada de Aida de Giuseppe Verdi

O compositor italiano Giuseppe Verdi (1813-1901) foi um dos mais influentes de sua época e escreveu cerca de 30 óperas, dentre elas, Aida, que conta a história de uma princesa etíope, feita escrava, que se apaixona por Radamés, comandante das forças armadas. Tudo se passa no Egito antigo e no meio desta paixão, surge a sua condenação pelo pai de Aida, Amonasro, rei da Etiópia, que exige também vingança pela prisão e escravatura da filha. Para complicar um pouco mais, aparece o amor de Amnéris, filha do faraó do Egito, por Radamés. O faraó tinha concedido a mão de sua filha a Radamés como prémio pela conquista da Etiópia, mas o militar, apaixonado por Aida, a princesa etíope reduzida à condição de escrava, tenta fugir para longe do seu país com a sua amada. Plano este que falha e leva Radamés a ser condenado ao subterramento. Amnéris tenta, em vão, usar seu poder para impedir a condenação. Aida, ao tomar conhecimento da pena a que votaram Radamés, decide também enterrar-se viva, na sepultura onde mais tarde Radamés, na execução, a haveria de encontrar. Juntos os dois amados, enterrados vivos, encerra-se então a bela ópera com o celebérrimo O Terra, addio.

 Esta ópera é bastante grandiosa. Possui também uma Marcha Triunfal que ficou bastante conhecida e que, por vezes, é tocada em casamentos.

Clarinada de Verdi

4) Clarinada de Tannhäuser  de Richard Wagner

Tannhäuser und der Sängerkrieg aus Wartburg (Tannhäuser e o torneio de trovadores de Wartburg) é uma ópera em três atos do compositor alemão Richard Wagner (1813-1883), e com o libreto escrito por ele mesmo. Baseada em uma lenda medieval, a temática gira em torno da redenção pelo amor; o sacrifício feminino que espia os pecados masculinos. O dilema ainda atual, entre o amor profano, carnal e o amor casto associado ao casamento, é uma questão central.

Clarinada de Wagner

5) Clarinada de Also Sprach Zarathustra de Richard Strauss

Poema sinfônico composto por Richard Strauss (1864-1949) em 1896 inspirado no tratado filosófico de Friedrich Nietzsche. Sua melodia ficou famosa por ter sido usada na trilha sonora do filme 2001: Uma odisseia no espaço.

O livro narra as andanças e ensinamentos de um filósofo, autonomeado Zaratustra após a fundação do Zoroastrismo na antiga Pérsia. Para expor muitas das ideias de Nietzsche, o livro usa uma forma poética, frequentemente satirizando o Velho e Novo Testamento.

O centro de Zaratustra é a noção de que os seres humanos são uma forma transicional entre macacos e o que Nietzsche chamou de Übermensch, ou “além-do-homem”, normalmente traduzido como “super-homem”. O nome é um dos muitos trocadilhos no livro e se refere mais claramente à imagem do Sol vindo além do horizonte ao amanhecer como a simples noção de vitória.

Amplamente baseado em episódios, as histórias em Zaratustra podem ser lidas em qualquer ordem. Zaratustra contém a famosa frase Gott ist tot (“Deus está morto”), embora essa também tenha aparecido anteriormente no livro Die fröhliche Wissenschaft (A Gaia Ciência), e antes ainda em diversas obras de Georg Hegel.

Apesar de ser uma obra que satiriza o cristianismo, é muito tocada nas igrejas durante os casamentos, uma vez que essa clarinada é a mais escolhida das noivas.

Clarinada de Zaratustra – 2001 Uma odisseia no espaço

6) Clarins de Roma de Max Steiner

Esta obra foi composta para o filme americano Rome Adventure (O Candelabro Italiano), de 1962, dirigido e roteirizado por Delmer Daves, baseado no romance Lovers Must Learn, de Irving Fineman. Em busca de romance e aventura, uma jovem americana viaja a Roma, onde seu coração fica dividido entre um estudante americano e um descendente de nobres italianos.

Normalmente a obra é atribuída erroneamente a Verdi. O real autor, Max Steiner (1888-1971), de origem austríaca, que passou a maior parte de sua vida nos Estados Unidos, foi um dos mais notórios compositores do cinema americano. Entre os principais filmes para os quais escreveu, destacam-se “E o vento levou”, “King Kong”(1933), “Casablanca”(1942), dentre outros.

Clarins de Roma

7) Clarinada de A Viagem ao Centro da Terra de Rick Wakeman

Journey to the Centre of the Earth é o terceiro álbum do tecladista de rock progressivo britânico Rick Wakeman (1949). Lançado em 1974, é uma adaptação livre baseada no romance  Viagem ao Centro da Terra, do escritor francês Júlio Verne. A gravação do disco foi realizada ao vivo no Royal Festival Hall, em Londres, Inglaterra. Este álbum alcançou o primeiro lugar nas paradas britânicas, e o terceiro lugar nas paradas norte-americanas.

Músico irreverente, Wakeman é considerado um virtuosi, tocando vários teclados ao mesmo tempo e se apresentando sempre com uma capa brilhante.

Viagem ao centro da Terra

8) Clarinada de Prince of Denmark’s March de Jeremiah Clarke

Também conhecida como Trumpet Voluntary – esta é mais uma obra cuja autoria é atribuída a um outro compositor (Henry Purcell) de forma errada. 

Passou a ser muito usada em casamentos depois da cerimônia de Charles, Príncipe de Gales, e Lady Diana Spencer na entrada da noiva (1981) e no casamento do Príncipe Joachim of Denmark e Alexandra Manley em 1995.

Foi escrita por volta de 1700 pelo compositor inglês barroco Jeremiah Clarke, que era o primeiro organista da St Paul’s Cathedral.

Trumpet Voluntary

9) Clarinada Trumpet Tune de Jeremiah Clarke

A obra Trumpet Tune em Ré Maior (também atribuída incorretamente a Purcell) foi tirada da semi-ópera “The Island Princess”, a qual foi uma produção musical Clarke e Daniel Purcell (irmão mais novo de Henry Purcell)— o que provavelmente gerou a confusão.

Também foi tocada no casamento de Charles e Diana, porém, na entrada do noivo.

Trumpet Tune

10) Clarinada Alla Hornpipe de George Frideric Händel

Alla Hornpipe é um trecho extraído da obra Water Music, composta por Georg Friederich Händel (1685-1759), alemão radicado na Inglaterra, a pedido do rei George I da Inglaterra em 1717, para um concerto no rio Tâmisa. Esta peça é uma coleção de movimentos orquestrais, frequentemente divididos em três suítes.


O concerto foi executado originalmente por cerca de 50 músicos, todos situados sobre uma barca nas proximidades do barco real, a partir do qual o monarca escutava a peça com seus amigos mais próximos. Diz-se que o rei Jorge teria gostando tanto das suítes que pediu a seus músicos, já cansados, que a tocassem por três vezes durante o tempo do percurso.

Alla Hornpipe

Existem ainda diversas outras clarinadas que podem ser utilizadas em cerimônias. Uma dica é procurar por vídeos de eventos em que há a participação da Rainha da Inglaterra, pois a sua entrada é geralmente acompanhada por um toque musical. Opções não faltam!

Referências:

Wikipedia, consultada em 27/02/2020

Wade – Matthews, Max. The world encyclopedia of musical instruments. London: Lorenz Books, 2000.

Grout, Donald J.. Palisca, Claude. História da Música Ocidental. Lisboa: Gradiva, 2005.

Blog casacomidaeroupaespalhada.com, consultado em 27/02/2020


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